Resenha: O Nome da Rosa - Umberto Eco

O Nome da Rosa (Ed. Record), desde o lançamento em 1980 na Itália, tornou-se um best seller. Devido ao sucesso da obra de Umberto Eco, o romance foi levado ao cinema em 1986 estrelado por Sean Connery.

Para dar um maior realismo ao romance, Eco informa que o livro se trata de um manuscrito que veio parar em suas mãos em 1968, tendo publicado posteriormente.

O Nome da Rosa é um romance histórico, mesclando fatos reais e ficção, que se passa  no século XIV em um mosteiro italiano. A obra é narrada em primeira pessoa pelo noviço Adso de Melk.

Um crime misterioso ocorre na abadia e um ex-inquisidor, frade franciscano Guilherme de Baskerville, e seu assessor, o noviço Adso – narrador - são convidados para elucidar o homicídio.

A vida noturna no mosteiro é repleta de mistérios, tendo o frade Guilherme e seu assessor Adso descoberto casos de pederastia entre monges e violação ao celibato com camponesas em troca de comidas – coração de boi e vísceras de porco.

Em meio à investigação, uma série de outros crimes ocorrem na abadia, dando características de se tratar de um serial killer que utiliza o livro do apocalipse para dar sentido às mortes.

Os investigadores encontram resistência dos demais membros do mosteiro, inclusive do Abade, o que tornam todos os monges suspeitos de praticar os homicídios.

Para conhecer os demais detalhes dos crimes e das investigações, o leitor deverá ler essa instigante obra.

Além de um fascinante thriller policial, o Nome da Rosa levanta questões filosóficas, teológicas e sociológicas que estavam em discussão no período da Idade Média.

Vale destacar o debate sobre a pobreza de Jesus Cristo e se os fiéis devem se desapegar de todos os bens materiais, como defendiam os franciscanos mais radicais. 

Outra tema, que atualmente parece nem se discutir, mas que na Idade Média era defendido por muitos religiosos, é a proibição ao cristão de sorrir, sob o argumento de que não há passagens no Evangelho noticiando que Jesus sorria.

O romance ainda faz revelações sobre o Frei Dulcino, que pregava a pobreza extrema, fazendo vários seguidores, o que culminou com a formação de uma comunidade de excluídos. Posteriormente, o Frei Dulcino e muitos de seus asseclas foram executados pela Igreja.

Comentando o caso do Frei Dulcino, o frade franciscano Guilherme de Baskerville pondera que o afastamento da Igreja dos pobres – chamados figuradamente de leprosos – fez surgir na Idade Média várias heresias radicais e indica que o caminho da Igreja era se aproximar desse povo, como fez São Francisco de Assis.

O Nome da Rosa é um romance histórico certamente enriquece o leitor com uma aula sobre a Idade Média.

Boa Leitura.  

José Almeida Júnior

Um comentário

  1. ai eu ja li essse livro ! na aula de sociologia! não é meu tema preferido, mas foi bem interessante e chocante .muita pobreza e abuso de poder, mas foi marcante. acho que nunca vou esquecer esse livro

    ResponderExcluir