Resenha: A Máquina de Madeira










Pesquisando romances históricos no contexto do Rio de Janeiro do século XIX, deparei com o interessante A Máquina de Madeira (Ed. Companhia das Letras) de Miguel Sanches Neto.

O livro narra a história do Padre Francisco João Azevedo – inventor uma máquina de escrever de madeira em meados do século XIX no Recife.


O autor dividiu o romance em duas partes: Londres e Nova York, representando cada cidade o anseio do Padre Azevedo em revelar sua máquina taquigráfica no exterior.

As duas partes do romance são escritas em ritmos diferentes, dando a sensação que o leitor está diante de duas obras distintas.

A primeira parte conta a chegada do Padre ao Rio de Janeiro para apresentar a sua máquina de escrever na Exposição Nacional de 1861, sendo que o vencedor levaria seu invento à Exposição Internacional de Londres. Embora houvesse ganho o prêmio, Azevedo não pôde levar a máquina para a capital inglesa, devido ao desinteresse do Império em mostrar uma máquina que muitos diziam de pouca utilidade.

Os capítulos da parte Londres são escritos em terceira pessoa, em uma narrativa muito bem engendrada, inserindo o leitor nas ruas do Rio de Janeiro do Segundo Reinado. Ao final de cada capítulo, o autor paranaense ousa em mudar a voz narrativa para primeira pessoa, sendo que vários personagens surgem como narrador, inclusive o Imperador D. Pedro II. 


Na parte Nova York, Miguel Sanches conta de forma não linear como o Padre foi enganado e passou o projeto da máquina de madeira para o americano Yost, que posteriormente se apropriou do invento e criou a Remington n.º 1 – a primeira máquina de escrever fabricada industrialmente. Nessa parte do romance, o autor narra alguns capítulos em primeira pessoa e outros em terceira pessoa.

A Máquina de Madeira revelou-se um excelente romance com uso de técnicas narrativas interessantes. Recomendo a leitura.

O autor Miguel Sanches Neto já está escrevendo seu próximo romance com lançamento previsto para 2014 pela Editora Intrínseca. 



José Almeida Júnior

4 comentários

  1. Oi,
    Sua resenha está muito boa. Estou lendo livros de autores nacionais, gostei muito.
    Mil bjs.
    http://ociclodoslivros.blogspot.com.br/

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  2. Nunca ouvi falar desse livro e creio que não seja uma leitura que eu faria...

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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  3. Eu adoro livros com conteúdo histórico, mas nunca tinha ouvido falar nesse, gostei bastante pelo que li na sua resenha!

    Me visita também! :D

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  4. Obrigado pelo comentário, Andy. Qual o seu blog?

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