Resenha: Madame Bovary







Em Madame Bovary, Gustave Flaubert inaugurou a narrativa moderna realista. Atualmente não é fácil enxergar a revolução que o livro causou, pois a obra alterou para sempre a maneira de escrever romance. 

O livro se inicia com a chegada de Charles Bovary à escola, apresentando-o o personagem tímido e atrapalhado.

Posteriormente, Charles torna-se médico e se casa com uma mulher mais velha e viúva. Bovary atende a um chamado para tratar de um paciente, conhecendo sua filha Emma, por quem se apaixona. A esposa de Charles sente ciúmes, falecendo pouco tempo depois. Após a morte da esposa, Charles pede Emma em casamento e esta aceita.

O casal se muda para uma pequena cidade no interior da França, onde Charles irá trabalhar como médico. Emma conhece Rodolfo com quem tem um caso amoroso.

Emma e Rodolfo planejam fugir, mas este desiste do plano, o que a deixou vários meses em depressão. Após a decepção com o amante, Emma comete um novo adultério com Léon, com quem protagoniza - em minha opinião - a melhor cena do romance, em que Emma se entrega a Léon durante o longo passeio pela cidade, dirigido pelo cocheiro de um carro de aluguel

Para conhecer o restante do enredo, o leitor deverá conhecer a obra em sua integralidade.

Em Madame Bovary, há poucos diálogos; os personagens têm falas curtas. A obra é narrada em terceira pessoa, mas não com um narrador onisciente. Cada cena parece ser descrita por um personagem diferente, de maneira que o leitor visualiza a realidade ficcional do ponto de vista de um personagem e não do narrador.

Tal fato pode ser notado em toda obra, em especial quando Charles encontra com Emma pela primeira vez e fica admirado com a alvura das suas unhas e beleza dos seus olhos e a personagem é construída sob a ótica de Charles. Por outro lado, Rodolfo, ao conhecer Emma, diz que ela se parece com as demais amantes, possuindo lábios libertinos e venais. A mesma personagem é descrita de forma distinta, como se tratasse de pessoas diferentes.

Gustave Flaubert também criou o diálogo entrecruzado, fazendo as vozes fluírem sem as marcações “Ele disse”, “Ela respondeu” do narrador - expressões utilizadas no século XIX em razão de os romances serem lidos em voz alta nos serões.

Flaubert começou a escrever Madame Bovary em 1851, concluindo em 1856. Foram cinco anos escrevendo compulsivamente cerca de 16 horas por dia. Flaubert revisou exaustivamente cada frase, tornando Madame Bovary uma obra-prima.

A crítica vai para o livro digital da editora Penguin-Companhia. Comprei o livro por R$ 19,50 na Amazon para ter acesso a uma edição melhor elaborada da obra, sendo que havia várias edições gratuitas no mesmo portal. Porém, em praticamente todos os capítulos havia erros de digitação.


José Almeida Júnior

12 comentários

  1. Estou planejando ler mais livros clássicos, porém não gosto dos que não tem muito diálogo entre os personagens. Adorei sua resenha. Beijos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Viviane, recomendo a leitura.
      Obrigado pela visita.
      Abs

      Excluir
  2. Tenho curiosidade de ler esse livro. Um dia vou ler!

    Adorei seu blog! Estou seguindo.
    www.meuslivrosesonhos.blogspot.com.br
    Ficarei feliz se você vistar e seguir meu blog.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Leila, visitei seu blog e estou seguindo nas redes sociais.
      Muito bom.
      Abs

      Excluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Interessante esse livro, tem um jeito de ser muito bom, bem escrito. Bem bacana.

    ResponderExcluir
  5. Gostei do enredo do livro, confesso que não conhecia a obra de Gustave Flaubert e pareceu muito com livros clássicos e pareceu ser bem engraço, todo mundo gostando de todo mundo...gosto deste tipo de leitura...espero ler em breve o livro!!! áh a capa é bem legal....lembrei de picasso! =) abraços!!!

    ResponderExcluir
  6. ótima resenha. Parece ser um ótimo livro. Conheci o blog hoje e adorei. Parabéns!

    ResponderExcluir
  7. O legal é que o livro inspirou vários outros escritores, compositores roteiristas e diretores de cinema. Leitura obrigatória!

    ResponderExcluir
  8. Achei o livro bem interessante, sem duvida parece ser um ótimo livro! Curiosa para lê-lo.

    ResponderExcluir
  9. Eu tenho curiosidade em ler Madame Bovary exatamente por ter sido um livro que iniciou um estilo literário. Gostei muito da resenha e logo que puder o lerei.

    ResponderExcluir
  10. Minha professora de Literatura comentou que o livro é bastante interessante, e, com sua resenha, minha vontade de lê-lo aumentou!

    ResponderExcluir