Resenha: Pedro Páramo






Durante os seus 68 anos de vida, Juan Rulfo escreveu apenas um romance Pedro Páramo e um livro de contos Chão em Chamas. De 1955 – data da publicação de Pedro Páramo - a 1986 – ano em que faleceu, o escritor mexicano sofreu cobranças para escrever outro romance. Não escreveu.


Pedro Páramo foi o suficiente para Rulfo ser considerado o escritor mais aclamado da literatura mexicana.

Para Gabriel Garcia Marquez, Cem Anos de Solidão não teria existido sem Pedro Páramo. O romance de Juan Rulfo foi o prenúncio do realismo mágico.  


Em apenas 127 páginas, Rulfo é preciso na linguagem dos personagens e na descrição dos cenários. Não excede em nada, mas também não deixa faltar.

Pedro Páramo conta a história de Juan Preciado, que vai em busca de conhecer seu pai, Pedro Páramo, após a morte de sua mãe. Ao chegar na cidade imaginária de Comala, Preciado encontra uma região abandonada e somente mortos.

Ao descobrir que o povoado é habitado apenas por defuntos, Juan morre aterrorizado. Após ser enterrado, os falecidos irão lhe contar a vida de seu pai.

Os mortos narram Pedro Páramo como um homem rude e cruel que detém a maior parte das terras da região de Comala.

A figura de Páramo se assemelha aos coronéis do nordeste brasileiro. Inclusive, o personagem dava dinheiro e emprestava alguns homens para um movimento rebelde que invadia fazenda e realizava saques, o que lembra a proteção que alguns coronéis concediam aos cangaceiros.

O romance é não linear, de maneira que várias vezes é preciso reler os capítulos anteriores para compreender melhor o enredo.

A voz narrativa do romance é singular. Alguns capítulos são narrados em 1ª pessoa com Juan Preciado e outros em 3ª pessoa. Mesmo nos capítulos escritos em 1ª pessoa é possível distinguir outras vozes, como se pode depreender logo no primeiro parágrafo do livro:

Vim a Comala porque me disseram que aqui vivia meu pai, um tal de Pedro Páramo. Minha mãe que me disse.

Na expressão um tal de Pedro Páramo, percebe-se que era a mãe de Juan Preciado que em um tom raivoso falava de seu pai: um tal de Pedro Páramo.

Durante todo o romance, é possível verificar o cruzamento das vozes narrativas.

Essa grande obra foi considerada pela Folha de São Paulo como o 35º melhor romance do século XX (confira a relação completa aqui).

Clássico imprescindível para formação do leitor. Recomendo a leitura.


José Almeida Júnior

3 comentários

  1. Não é meu tipo preferido de ler, mas quem sabe não é mesmo?

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  2. A literatura latino americana precisa ser mais valorizada, autores como Garcia Marques, Manuel Puig, Julio Cortazar, Mario Vargas Llosa merecem mais atenção, suas obras têm muito em comum com as obras de grandes autores brasileiros e ao mesmo tempo ele têm tanto a acrescentar.
    Eu li Pedro Páramo um bom tempo atrás e achei fascinante mas não fazia ideia que era o único romance escrito pelo autor nem que o livro é considerado tão importante.

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    1. Cris, Pedro Páramo é realmente sensacional. Um clássico de pouco mais de 100 pág. Abs

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