Série Livros para Escritores: Manual do Roteiro de Syd Field






O Blog Almeida em Prosa inicia uma série de posts indicada para aqueles que estão escrevendo ou pretendem escrever um romance, conto ou roteiro de cinema.


A primeira resenha é sobre o livro Manual do Roteiro de Syd Field (Ed. Objetiva). Field é consultor de produtores americanos na análise e desenvolvimento de roteiros e um dos professores mais procurados em Hollywood.


O Manuel do Roteiro apresenta, em uma linguagem acessível, todos os elementos fundamentais para a construção de um roteiro. O livro é útil não somente para roteiristas, mas também para quem pretende escrever qualquer espécie de ficção, seja através de romances ou contos.

Field apresenta um paradigma  de roteiro com 120 páginas, sendo que cada página  corresponde a um minuto de filme, que pode ser utilizado em qualquer tipo de roteiro:

Ato I        Ponto de Virada             Ato II                  Ponto de Virada                Ato III
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No Ato I, o roteirista tem 30 páginas apresentar personagens, premissa dramática e estabelecer relações entre o personagem principal e os demais. As 10 primeiras páginas são cruciais para prender a atenção, tanto de quem vai ler o roteiro, como daqueles que vão assistir. Ao final do Ato I, deve-se apresentar o ponto de virada.

O Ponto de Virada é qualquer incidente que engancha na ação e reverte para outra direção. Cada Ponto de Virada move a estória adiante para a sua resolução.

No Ato II, o roteirista tem 60 páginas para apresentar os conflitos. Cria-se uma necessidade dramática para o personagem e uma série de obstáculos para impedir que o protagonista alcance seu objetivo. No fim do Ato II, há outro Ponto de Virada.

No Ato III, ocorre a resolução do conflito, de maneira que o autor deve escrever da página 90 a 120 o fim da trama. Field afirma que há finais “para cima” (feliz), “tristes” e “ambíguos”, sendo que, se o roteirista estiver com dúvidas sobre o seu final, deverá terminar com um final feliz.

Para conduzir bem o roteiro, o autor deve conhecer o final do roteiro antes de começar a escrever. Depois deverá saber a abertura da obra, Ponto de Virada no fim do Ato I e o do Ato II.

Field aconselha fazer uma biografia dos principais personagens, traçando aspectos profissionais, pessoais e privados, para que o autor os conheça antes escrever.

Uma das dicas mais valiosas do Manual do Roteiro é o sistema de fichas ou cartões. O autor escreve a ideia de cada cena ou sequência em uma ficha 12x8 cm, começando pelas cenas do Ato I, depois passando para o Ato II e III. Ao final de cada Ato, o roteirista coloca as fichas na parede, num quadro ou no chão para ordenar as cenas. O roteirista deve passar alguns dias lendo e relendo as cenas, até começar efetivamente a escrever a obra.

No ato da escrita, o autor tem que estabelecer um horário, não podendo ter contato com telefone, conversas com familiares ou internet. Field apresenta até mesmo uma pergunta para o roteirista fazer para o(a) esposa(a): “Você está disposto(a) a lhe dar espaço e oportunidade para escrever o que ele(a) quiser? Você o(a) ama o bastante para lhe dar espaço aos seus esforços, mesmo que isso interfira em sua vida?”.

O Manual do Roteiro é uma excelente obra para os que se iniciam na prática da escrita de ficção. Recomendo.



José Almeida Júnior

3 comentários

  1. Interessante! Confesso que nunca tive interesse em pesquisar sobre o assunto, mas não é que curti? Otimo post, Jose!

    Beijokas
    http://escolhasliterarias.blogspot.com.br/

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  2. Olá, como vai?
    Pelo que li, parece que estou indo pelo lugar certo, mesmo sem saber. Escrevi um pequeno resumo sobre meus personagens, fiz os atos I, II e III - realmente, temos que saber o III antes mesmo do I ou do II. A única coisa que preciso é um tempo calmo, que dê para escrever, ou seja, madrugada.
    Esse livro parece fascinante. Nunca tinha pensado nisso.
    Ótima postagem.
    xx
    Karol
    http://heykarol.blogspot.com.br/

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    1. Karol, Obrigado. Nos próximos dias vou postar uma resenha do Story de Robert Mckee também sobre roteiros de cinema, mas que também serve para a estrutura de um romance. Abs

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