Melhores Leituras de 2014

Assim como no ano passado, o primeiro post de 2015 será sobre as melhores leituras realizadas em 2014. Para mim, foi um ano de grandes leituras, especialmente pela descoberta do escritor português Miguel Sousa Tavares que emplacou dois livros entre os meu preferidos. Eis a lista:


1 – Equador – Miguel Sousa Tavares: O livro narra a história do boêmio Luís Bernardo, o qual foi convidado pelo rei D. Carlos para assumir o cargo de governador das colônias portuguesas S. Tomé e Príncipe. O rei confia ao novo governador a missão de convencer o cônsul inglês de que não havia trabalho escravo na colônia portuguesa, pois a Inglaterra ameaçava boicotar a importação de café e cacau das ilhas. Ocorre que ao chegar às colônias Luís Bernardo entra em conflito com os administradores das roças, que insistem em tratar os trabalhadores africanos como propriedade. Para dificultar a missão de convencer o cônsul de que não havia trabalho escravo, Luís Bernardo acaba se envolvendo com a esposa do inglês.  (para ver a resenha completa click aqui);



2 –1Q84 – Livro 3 - Haruki Murakami: Na trilogia 1Q84, Murakami chega ao ápice de sua obra, costurando suspense, violência e distopia com momentos de nostalgia, amor e união. O escritor japonês já figura entre os favoritos para o Nobel de literatura há alguns anos, mas ganhar o prêmio é questão de tempo. Em um ano próximo a 1984, dois personagens repletos de segredos e envolvidos em tramas obscuras tentam sair de uma realidade implacável: o mundo de 1Q84. No último volume da trilogia Haruki Murakami, os protagonistas Tengo e Aomame continuam presos ao mundo paralelo de 1Q84, “onde coisas estranhas podem acontecer”. Eles precisam escapar não só dessa terrível realidade alternativa, em que duas luas pairam no céu, mas também da ameaça do chamado Povo Pequenino e de um sinistro grupo religioso em busca de um acerto de contas. E terão em seu encalço um implacável detetive, que se aproxima cada vez mais do esconderijo de Aomame, enquanto desvenda a real conexão entre ela e Tengo. Conforme 1Q84 caminha para uma resolução, acompanhamos o incerto destino se fechar ao redor deles. Aomame e Tengo não sabem se finalmente irão se encontrar, ou se serão encontrados antes;


3 – Desonra – J. M. Coetzee: Sucesso de público e crítica foi publicado em mais de vinte países e ganhou o Booker Prize. O livro conta a história de David Lurie, um homem que cai em desgraça. Lurie é um professor de literatura que não sabe como conciliar sua formação humanista, seu desejo amoroso e as normas politicamente corretas da universidade onde dá aula. Mesmo sabendo do perigo, ele tem um caso com uma aluna. Acusado de abuso, é expulso da universidade e viaja para passar uns dias na propriedade rural da filha, Lucy. No campo, esse homem atormentado toma contato com a brutalidade e o ressentimento da África do Sul pós-apartheid. Com personagens vivos, com um ritmo narrativo que magnetiza o leitor, Desonra investiga as relações entre as classes, os sexos, as raças, tratando dos choques entre um passado de exploração e um presente de acerto de contas, entre uma cultura humanista e uma situação social explosiva;


4 – Palácio de Inverno - John Boyne: Mais conhecido como autor de O Menino de Pijama Listrado, Bayne surpreendeu com um excelente romance histórico. Em 1915, o então jovem camponês russo Geórgui Jachmenev conseguiu impedir um atentado à vida do grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar. Esse involuntário ato de bravura acaba por assegurar a Geórgui um lugar de honra na corte de Nicolau II, que o nomeia guarda-costas pessoal do seu filho, o também adolescente Alexei Romanov. Em 1981, agora cidadão britânico e funcionário aposentado da biblioteca do Museu Britânico, o octogenário Jachmenev, enquanto vela pela saúde da esposa Zoia, que vive os últimos estágios de um câncer devastador, deixa a memória flutuar, recordando aleatoriamente os fatos de sua vida, grande parte deles ligados diretamente a eventos históricos que transformaram o séc XX. Rasputin, Winston Churchill, um amigo de Charles Chaplin, o último czar russo e outros personagens históricos de vulto misturam-se às pessoas comuns do imaginário de Jachmenev, à medida em que sua memória vai aproximando os dois momentos mais importantes de sua trajetória, aquele que conquistou o amor de sua vida e aquele em que está prestes a perde-lo de forma definitiva;


5 – O homem que Amava os Cachorros - Leonardo Padura: A história é narrada, no ano de 2004, pelo personagem Iván, um aspirante a escritor que atua como veterinário em Havana e, a partir de um encontro enigmático com um homem que passeava com seus cães, retoma os últimos anos da vida do revolucionário russo Leon Trotski, seu assassinato e a história de seu algoz, o catalão Ramón Mercader, voluntário das Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola e encarregado de executá-lo. Esse ser obscuro, que Iván passa a denominar “o homem que amava os cachorros”, confia a ele histórias sobre Mercader, um amigo bastante próximo, de quem conhece detalhes íntimos. Diante das descobertas, o narrador reconstrói a trajetória de Trotski, exilado por Stalin após este assumir o controle do Partido Comunista e da URSS, e a de Ramón Mercader, o homem que empunhou a picareta que o matou, um personagem sem voz na história e que recebeu, como militante comunista, uma única tarefa: eliminar Trotski. São descritas sua adesão ao Partido Comunista espanhol, o treinamento em Moscou, a mudança de identidade e os artifícios para ser aceito na intimidade do líder soviético, numa série de revelações que preenchem uma história pouco conhecida e coberta, ao longo dos anos, por inúmeras mistificações;


6 – Madrugada Suja – Miguel Sousa Tavares: Numa madrugada de 1988, três estudantes de Évora e uma jovem de dezesseis anos saem para uma farra regada a muito álcool que terminaria em tragédia. Um dos rapazes é Filipe, último descendente da aldeia alentejana de Medronhais da Serra, hoje habitada por um único homem, seu avô, Tomaz da Burra. O romance do escritor português acompanha as vidas desta família desde a Revolução dos Cravos, que derrubou a ditadura de Salazar em abril de 1974, até os dias atuais. O pai de Filipe, Francisco, ficou viúvo muito cedo e sempre pareceu alheio ao que acontecia na aldeia. Mas, com as mudanças políticas, ele parece encontrar na reforma agrária uma razão para viver e decide se mudar para uma fazenda comunal, deixando o filho único para ser cuidado pelos avós. Filipe cresce nesta Medronhais da Serra fora do tempo, um lugar que tinha pouco mais de cinquenta habitantes e demorou muito a ganhar o seu primeiro aparelho de televisão. Ele se torna arquiteto e vai trabalhar em uma cidade costeira do Alentejo, onde passa a conhecer cada vez mais de perto as sujeiras da corrupção política. Ao tentar não se envolver num esquema de fraudes e propinas, voltará a ser assombrado pela trágica noite que viveu na juventude. 'Madrugada suja' alterna a voz de diferentes personagens a cada capítulo. Além de um retrato crítico e acurado sobre as mudanças em Portugal nos últimos quarenta anos, o escritor criou uma história fascinante sobre como os acasos da vida nos levam a situações-limite;


7 – Eternidade por Um Fio – Ken Follet: A trilogia “O Século” que conta a história do século XX através da saga de cinco famílias dos seguintes países: Estados Unidos, Inglaterra, País de Gales, Rússia e Alemanha durante as Primeira e Segunda Guerra Mundiais nos livros “Queda de Gigantes” e “Inverno do Mundo” e a Guerra Fria no último tomo. “Eternidade Por Um Fim” inicia narrando a trajetória da família de Franck residene na Alemanha Oriental Comunista que é perseguida pela Stasi – polícia secreta alemã. Posteriormente a família acaba dividida pela construção do muro de Berlim. Em paralelo, Follet conta a estória do jovem George Jakes que luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Faz parte também do enredo a continuação da saga das famílias Williams na Inglaterra e Dvorkin-Peskov na então União Soviética. Ao longo das mais de mil páginas da trama, a vida dos personagens se entrelaçam com fatos históricos que marcaram a segunda metade do século XX, iniciando pela construção do muro de Berlim e finalizando com a sua queda. (resenha completa aqui);


8 - Meu nome é Vermelho - Orhan Pamuk: No romance, o ganhador do Nobel de Literatura 2006 alia narrativa policial, uma história de amor proibida e reflexões sobre as culturas do Ocidente e do Oriente. A trama se passa em Istambul, no fim do século XVI. Para comemorar o primeiro milênio da Hégira (a fuga de Maomé para Meca), o sultão encomenda um livro que representasse a riqueza do Império Otomano, que naquele momento vivia seu apogeu. Para provar a superioridade do mundo islâmico, porém, as imagens deveriam ser feitas com as novíssimas técnicas de perspectiva da Itália renascentista. As intenções secretas do sultão logo dão margem a especulações, desencadeando uma onda de intrigas que culmina no assassinato de um dos artistas que trabalhava nas iluminuras do livro. Ao mesmo tempo, desenrola-se o caso de amor entre o Negro, artesão que voltara a Istambul após doze anos de ausência, e a bela Shekure. Construída por dezenove narradores -entre eles um cachorro, um cadáver e o pigmento cuja cor dá nome ao livro -, a história surpreende pela exuberância estilística, que reflete o encontro de duas culturas;


9 – O Dom do Crime - Marco Lucchesi: o autor cria um narrador-autor, não identificado, que conta uma história para o futuro. Um homem do século XIX que, ao ser aconselhado pelo médico a escrever suas memórias, lança não para a própria vida, mas sobre um crime passional, notícia no Rio de Janeiro de Machado de Assis. Esse misterioso narrador traça paralelos curiosos entre este assassinato, o julgamento que absolve o marido supostamente traído e a obra mais aclamada de Machado, Dom Casmurro. Terá o Bento de Machado qualquer coisa do real José Mariano? E Capitu teria sido inspirada em Helena, a esposa que sucumbe ao ciúme do marido? Todos os dados de ordem informativa, factual, foram longamente pesquisados e comprovados, em papel velho e fontes congêneres — tudo passou pelo crivo de Lucchesi. Mas, para além disso, o romance traz uma flutuação permanente entre literatura e documento, história e ficção.



10 - O Cemitério de Praga – Umberto Eco: Repleto de teorias da conspiração, falsificações, assuntos maçônicos e detalhes da unificação italiana, é no antisemitismo que repousa o coração da narrativa. O cemitério de Praga também lembra um dos mais impressionantes episódios de falsificação da história: Os protocolos dos sábios de Sião, um texto forjado pela polícia secreta do Czar Nicolau II para justificar a perseguição aos judeus. Os escritos, que se acredita terem sido baseados em um texto francês - Diálogos no inferno entre Maquiável e Montesquieu - descreviam um suposto plano para a dominação mundial pelos israelitas. E serviriam de inspiração a Hitler para os campos de concentração. O odioso Simonini, que o próprio autor define como um dos mais repulsivos personagens literários já criados, é um mestre do disfarce e da conspiração. Um falsário a serviço de vários governos. Do nordeste italiano até a Sicília de Garibaldi, das favelas de Paris às tabernas alemãs, passando por missas negras, o bombardeio a Napoleão III, a Comuna de Paris, o caso Dreyfus, o Ressurgimento, Simonini é todas as revoluções, as más escolhas, os erros do século XIX, que Eco reconstrói com grande rigor histórico, entre tomadas de poder e revoluções. Com ares de novo clássico, O cemitério de Praga leva as mentiras históricas a novos patamares e revela, ainda, ferramentas usadas por falsários e propagandistas.


Nenhum comentário

Postar um comentário