Resenha: A Confissão da Leoa de Mia Couto




“A Confissão da Leoa” (Ed. Companhia das Letra) foi meu primeiro contato com Mia Couto. O escritor natural de Moçambique é membro correspondente da Academia Brasileira de Letras e recebeu uma série de prêmios literários, destacando-se o Prêmio Camões de 2013, o mais prestigiado da língua portuguesa.


Ao viajar para o norte de Moçambique no ano de 2008, quando ainda trabalhava como biólogo, Mia Couto presenciou ataques violentos de leões a pessoas, especialmente contra mulheres. Tal fato foi uma premissa para construir o romance “A Confissão da Leoa”.

O livro se passa na aldeia moçambicana de Kulumani que é alvo de ataques mortais de leões provenientes da savana. O caçador Arcanjo Baleiro é enviado à região para matar o animal. Chegando lá, Arcanjo verifica que mais difícil que caçar o leão é lidar com as pessoas do vilarejo que alimentam lendas a respeito dos fatos, entre elas Mariamar, uma habitante da aldeia que teve sua irmã Silência devora pelos leões.

A trama é narrada em primeira pessoa por Mariamar e Arcanjo Baleiro, em capítulos alternados chamados de “Versão de Mariamar” e “Diário do Caçador”. Em cada capítulo, é possível visualizar a diferença de percepção dos fatos do forasteiro caçador Arcanjo Baleiro e da mulher oprimida e cheia de traumas Mariamar.

O romance usa os ataques de leões para retratar a condição social das mulheres submissas na zona rural de Moçambique. Tal metáfora pode ser percebida pela revelação que a mãe de Mariamar faz na última frase do livro. 


Mia Couto escreve de parágrafos curtos, porém repletos de poética capazes de envolver o leitor no drama psicológico dos personagens de “A Confissão da Leoa”.

Recomendo a leitura. 

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