Melhores Leituras de 2016


O ano de 2016 não foi de todo ruim, meu romance “O Homem que Odiava Machado de Assis” ficou entre os finalistas do Prêmio Sesc de Literatura de 2016, conclui o segundo livro, “Última Hora”, e ainda fiz leituras de autores contemporâneos e clássicos que faltavam para minha formação como leitor e escritor.


Listei as dez melhores leituras de 2016 em ordem de preferência, levando em consideração, por óbvio, minha experiência com o livro. Por isso, algumas obras contemporâneas ficaram à frente de clássicos da literatura.

Para evitar a confusão de gêneros tão distintos, inclui apenas livros de ficção, deixando de fora os excelentes “Noite de Meu Bem”, de Ruy Castro, as biografias de Getúlio Vargas, de Lira Neto, “A Tolice da Inteligência Brasileira”, de Jessé Souza, entre outras leituras.

Eis a lista:

1 – Conversas no Catedral – Mário Vargas Llosa (Alfaguara, 584 páginas): é um dos livros mais importantes do autor ganhador do Prêmio Nobel. O romance é ambientado em Lima, Peru, entre os anos 50 e 60. Santiago Zavala, jornalista e filho de uma família de classe média alta, e Ambrosio, antigo motorista de seu pai, encontram-se num pequeno bar chamado Catedral. Enquanto bebem cervejas e relembram fragmentos de suas vidas e as de seus conhecidos, recompõem o panorama político peruano nos anos 1950, durante a ditadura do general Manuel Odría.


2 – Grandes Sertões Veredas – Guimarães Rosa (Nova Fronteira, 608 páginas): é considerado pelos críticos o maior romance brasileiro do século XX. A obra é extensa e linguagem complexa, cheia de neologismos, que dificultam a leitura no início. Depois que o leitor se acostuma com a linguagem, a leitura flui. O livro é narrado por Riobaldo. O jagunço narra sua saga e sua relação com Diadorim. Vale a pena vencer as cinquenta primeiras páginas e se aventurar na história de Riobaldo. 



3 – Cem Anos de Solidão – Gabriel García Márquez (Record, 448 páginas): o Nobel de Literatura narra história da família Buendía no universo fictício de Macondo. Na cidade, o leitor acompanha diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo. O livro apresenta elementos mágicos que se misturam com o realismo de Macondo.




4 – Complexo de Portnoy – Philip Roth (Companhia das Letras, 240 páginas): é o livro mais famoso do eterno candidato a Nobel de Literatura. Alexander Portnoy narra sua vida a um psicanalista desde a infância até a meia idade. Sem autocensura, o autor fala sobre sua relação com a mãe, outras mulheres e masturbação. O livro é engraçado e ao mesmo tempo perturbador.




5 – Victus — A queda de Barcelona – Albert Sanchez Piñol (Alfaguara, 608 páginas): o livro é um romance histórico que narra a Guerra da Sucessão espanhola, um conflito que durou anos e se encerrou com o dramático cerco à cidade de Barcelona. O conflito é narrado por Martí Zuviría, um jovem sem futuro que se torna um exímio estrategista de guerra e uma peça fundamental na disputa entre as nações. Além da questão histórica, o romance é tragicômico. Foi, sem dúvidas, a leitura mais divertida que fiz em 2016.


6 – Agosto – Rubem Fonseca (Agir, 344 páginas): havia lido esse romance na minha adolescência e resolvi reler para pesquisa do meu novo livro. A história começa em 1º de agosto de 1954, no Rio de Janeiro, quando um empresário é assassinado. Ao mesmo tempo outro crime é planejado no Palácio do Catete, sede do governo federal. Gregório Fortunato, o Anjo Negro, prepara um atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, opositor ao governo de Getúlio Vargas. Enquanto o país se divide entre fanáticos contra e a favor do governo de Getúlio, o comissário de polícia Alberto Mattos tenta desvendar o assassinato do empresário. Mattos começa a suspeitar de ligações entre o caso que investiga e o atentado a Carlos Lacerda.

7 – Eu Vos Abraço, Milhões – Moacyr Scliar (Companhia das Letras, 256 páginas): O livro trata da vida de Valdo. Decidido a entrar para o Partido Comunista, Valdo sai do Rio Grande do Sul. Levando poucos pertences e quase nenhum dinheiro, embarca clandestinamente num trem com destino ao Rio de Janeiro. Na Cidade Maravilhosa, acredita que o líder do Partido, Astrojildo Pereira, iria de recebê-lo de braços abertos para conduzi-lo às fileiras da militância. Mas Astrojildo não está no Rio. Foi a Moscou, sem data para voltar. E Valdo não tem dinheiro. Em vez de lutar para libertar a classe oprimida, torna-se ele próprio um assalariado, operário da construção. Para piorar as coisas, na obra que culminará num imenso ícone da alienação: o Cristo Redentor.

8 – Memórias do Cárcere – Graciliano Ramos (Record, 694 páginas): o escritor alagoano morreu antes de concluir a obra. Talvez por isso, o livro é muito extenso, sem a concisão característica de Graciliano. Embora um pouco cansativo, o livro vale a pena. É o testemunho do escritor sobre a prisão a que foi submetido durante o Estado Novo. Uma narrativa amarga de alguém que foi torturado, viveu em porões imundos e sofreu privações provocadas por um regime ditatorial. No livro, Graciliano descreve a companhia dos mais variados tipos encontrados entre os presos políticos: descreve, entre outros acontecimentos, a entrega de Olga Benário para a Gestapo e insinua as sessões de tortura aplicadas a Rodolfo Ghioldi. Da cadeia, Graciliano faz comentários sobre a feitura e a publicação de Angústia.

9 – A República das Abelhas – Rodrigo Lacerda (Companhia das Letras, 520 páginas): o livro é narrado pelo autor-defunto Carlos Lacerda, à maneira de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Lacerda fala sobre sua relação com o avô e seu pai Maurício. Próximo ao final do romance, Carlos Lacerda narra o atentado de que foi vítima na rua Tonelero, que desencadeou a crise que culminou no suicídio do presidente Getúlio Vargas.




10 – Número Zero – Umberto Eco (Record, 208 páginas): No último romance do autor de O Nome da Rosa, Eco trata de um verdadeiro manual do mau jornalismo. Um grupo de redatores, reunido ao acaso, prepara um jornal. Não se trata de um jornal informativo; seu objetivo é chantagear, difamar, prestar serviços duvidosos a seu editor. Uma aventura amarga e grotesca que se desenrola na Europa do fim da Segunda Guerra até os dias de hoje.

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